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Imagens

Seu cérebro pensa em imagens e palavras: codificação dupla e o poder de rotular imagens

Equipe Meu Caderno4 de outubro de 20266 min de leitura

Tente lembrar de uma aula de anatomia, de um mapa ou de um fluxograma de processo penal. É bem provável que a primeira coisa que venha à mente seja uma imagem, e não um parágrafo. Há uma explicação científica para isso.

Dois caminhos para a mesma memória

Nos anos 1970, o psicólogo canadense Allan Paivio propôs a teoria da codificação dupla: o cérebro processa informação por dois sistemas relacionados, um verbal (palavras) e um não verbal (imagens). Quando um conteúdo é registrado pelos dois, ele ganha duas “portas de entrada” na memória. Se uma falhar, a outra ainda pode trazer a lembrança. Em 1991, James Clark e Paivio revisaram as aplicações dessa teoria na educação e mostraram efeitos consistentes em compreensão e memória 1.

Imagens são lembradas melhor

Esse efeito tem nome: superioridade da imagem. Em 1976, Douglas Nelson, Valerie Reed e John Walling mostraram que figuras são reconhecidas e lembradas melhor do que as palavras correspondentes, em parte porque imagens tendem a ser mais distintas entre si 2.

Richard Mayer, da Universidade da Califórnia em Santa Bárbara, levou essas ideias para o ensino e formulou o princípio multimídia: as pessoas aprendem melhor com palavras e imagens juntas do que só com palavras. Ele também mostra que o texto deve ficar perto da parte da imagem a que se refere, para o cérebro não ter de “procurar” a ligação 3.

Na prática: uma imagem bonita ao lado do texto ajuda pouco. O que ajuda é ligar cada palavra a um ponto exato da imagem, e depois tentar lembrar qual é qual.

Gerar a resposta fixa mais do que lê-la

Existe ainda um terceiro ingrediente: o efeito de geração. Em 1978, Norman Slamecka e Peter Graf mostraram que palavras que a própria pessoa gera, a partir de uma pista, são lembradas melhor do que palavras simplesmente lidas 4. Quando você olha para uma estrutura escondida e tenta dizer o nome dela, está gerando a resposta, e não apenas reconhecendo.

Como o Meu Caderno aplica isso

  • Qualquer imagem vira material de estudo. Coloque no caderno um atlas de anatomia, um mapa, um esquema de circuito ou um fluxograma da Constituição.
  • Rótulos no lugar exato. Você marca cada ponto da imagem com o nome correspondente. Palavra e imagem ficam ligadas, como recomenda o princípio multimídia.
  • Cada rótulo vira um flashcard de oclusão. Na revisão, o rótulo some e você precisa lembrar o nome. É codificação dupla e efeito de geração ao mesmo tempo.
  • Tudo entra na revisão espaçada. Os cartões de imagem seguem a mesma agenda do FSRS dos outros cartões.

Num caderno comum, a imagem fica parada ao lado do texto. No Meu Caderno, ela vira uma forma ativa de testar a memória.

Referências

  1. Clark, J. M., & Paivio, A. (1991). Dual coding theory and education. Educational Psychology Review, 3(3), 149–210. doi:10.1007/BF01320076
  2. Nelson, D. L., Reed, V. S., & Walling, J. R. (1976). Pictorial superiority effect. Journal of Experimental Psychology: Human Learning and Memory, 2(5), 523–528. doi:10.1037/0278-7393.2.5.523
  3. Mayer, R. E. (2009). Multimedia Learning (2ª ed.). Cambridge University Press. doi:10.1017/CBO9780511811678
  4. Slamecka, N. J., & Graf, P. (1978). The generation effect: Delineation of a phenomenon. Journal of Experimental Psychology: Human Learning and Memory, 4(6), 592–604. doi:10.1037/0278-7393.4.6.592

Este artigo tem caráter informativo e resume pesquisas publicadas. Os resultados citados foram obtidos nas condições de cada estudo.

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